A investigação afirma que Weverton atuava como “liderança e sustentáculo das atividades empresariais e financeiras” do lobista.

Um arquivo em formato Excel, intitulado ‘Grupo Senador Weverton’, ligando o parlamentar maranhense à fraudes bilionárias em descontos de aposentadorias e pensões do INSS, pode ter sido um dos fatores que teria motivado uma nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada hoje pela Polícia Federal.

A investigação, que inicialmente apurava fraudes bilionárias em descontos de aposentadorias e pensões do órgão da seguridade social dos brasileiros, agora também busca esclarecer a suposta prática de lavagem de dinheiro relacionada ao esquema.

Ao todo, a PF cumpriu 18 mandados de busca e apreensão, autorizados pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no Distrito Federal e no Maranhão. Além dos parentes de Weverton, um dos alvos é o advogado Willer Tomaz.

O envolvimento do senador maranhense nas investigações tornou-se público em dezembro do ano passado, quando a Polícia Federal deflagrou uma operação semelhante que teve como foco integrantes da cúpula do Ministério da Previdência, do INSS e pessoas apontadas como responsáveis pela estrutura financeira do esquema.

Na ocasião, agentes cumpriram mandados de busca no gabinete político do senador, no Maranhão, e na residência dele, em Brasília. A PF também pediu sua prisão preventiva, mas o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, negou o pedido, acompanhando manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo a decisão, não havia, naquele momento, prova direta de que o parlamentar tivesse recebido recursos ilícitos ou comandado a organização criminosa.

A aeronave utilizada pelo senador do Maranhão também está incluída no inquérito das investigações.

O que diz a Polícia Federal

Apesar de negar a prisão, a decisão reproduz trechos da investigação da Polícia Federal que apontam Weverton Rocha como o “sustentáculo político” do grupo investigado.

Segundo a PF, o senador teria utilizado sua influência política para fortalecer a atuação de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como o principal operador do esquema.

A investigação afirma que Weverton atuava como “liderança e sustentáculo das atividades empresariais e financeiras” do lobista.

Entre os elementos citados pela PF está um arquivo encontrado em conversas entre integrantes do grupo, identificado como “Grupo Senador Weverton”.

Os investigadores também sustentam que o parlamentar seria, em tese, o “beneficiário final” ou “sócio oculto” de operações financeiras atribuídas ao grupo, recebendo recursos ou vantagens por intermédio de terceiros, entre eles pessoas ligadas ao seu gabinete parlamentar.

Outro elemento mencionado pela Polícia Federal é a utilização, pelo senador, de uma aeronave cujas cotas, segundo a investigação, teriam sido adquiridas pelo próprio Careca do INSS.

Arquivo intitulado ‘Grupo Senador Weverton’ teria motivado nova fase da Operação Sem Desconto

Quem é o Careca do INSS

Antônio Carlos Camilo Antunes é apontado pela Polícia Federal como um dos principais operadores do esquema investigado.

Segundo as apurações, ele seria responsável por articular empresas, operadores financeiros e agentes públicos para viabilizar fraudes relacionadas aos descontos aplicados em benefícios previdenciários.

A investigação também atribui ao grupo mecanismos para ocultação patrimonial, utilização de empresas de fachada e lavagem de dinheiro.

Nova fase

Nesta terça-feira, a Polícia Federal informou que a nova etapa da Operação Sem Desconto busca aprofundar a apuração sobre movimentações financeiras e patrimoniais que, em tese, teriam sido estruturadas para ocultar a origem e a destinação dos recursos investigados.

Segundo a corporação, há indícios da utilização de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e operações em dinheiro em espécie para dificultar o rastreamento dos valores.

As investigações prosseguem para esclarecer a origem dos recursos, o destino dos repasses e a responsabilidade individual de cada investigado.

PET 15041 / DF

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