A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão para as eleições de 2026 começa na próxima sexta-feira, 28 de agosto, e segue até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno, marcado para 4 de outubro. Até o dia da votação do primeiro turno, no dia 4 de outubro, pesquisas vão mostrar como está a disputa entre os candidatos. Durante toda a coleta desses dados, os institutos seguem regras de estatística e critérios científicos.
Imagine chegar ao dia da votação sem ter a menor ideia sobre as chances dos candidatos. Sem saber como os eleitores reagiram aos fatos da campanha. Essa falta de informação não combina com a democracia. É por isso que pesquisas e eleições são inseparáveis.
Pesquisa é fonte de informação
Por isso, até o dia 4 de outubro, data da votação do primeiro turno, o eleitor vai se informar pelas propostas dos candidatos, debate, horário eleitoral, e a pesquisa é mais uma dessas fontes de informação. Assim como as eleições têm regras, as pesquisas também têm. São todas registradas no Tribunal Superior Eleitoral. E a ciência estatística permite reproduzir um pequeno Maranhão. Com cerca de 2 mil entrevistas, o retrato de um estado inteiro.
Amostra é espelho do percentual
O levantamento, contudo, começa muito antes da entrevista. Tem todo um planejamento estatístico que cuida da seleção dos municípios, dos setores censitários, dos bairros. Os critérios são rigorosos. Por exemplo: segundo o TSE, o Maranhão tem 5,1 milhões de eleitores. São 51,9% de mulheres e 48,1% de homens. A pesquisa tem que ser o espelho desse percentual – e também das faixas etárias, de escolaridade e de renda dos maranhenses.
Se nós enxergamos o Estado assim, um instituto de pesquisa enxerga assim. O mapa de alguns leva em conta também dados das últimas eleições nos municípios. Com base nessa divisão, um sorteio define os municípios e locais que o pesquisador vai visitar. Como no exemplo de uma pesquisa anterior.
Consulta considera aspectos
O levantamento também leva em consideração aspectos sociais, econômicos e políticos. Então, não só o padrão de escolaridade, renda e idade do eleitor, mas fundamentalmente seu comportamento eleitoral nas últimas eleições. A construção desse mapa colorido vai mostrando o perfil do conjunto de cidades e do conjunto de bairros que vão nos permitir chegar a essa representatividade e garantir que todo tipo de eleitor e todo tipo de município esteja representado na amostra.
O objetivo é garantir entrevistas absolutamente fiéis à opinião do eleitor naquele momento. Prever o resultado das urnas não é objetivo de nenhuma pesquisa. Toda campanha eleitoral tem momentos mais calmos e mais agitados. As pesquisas vão retratando esse clima. Nas eleições, elas podem medir a velocidade do vento e indicar para onde ele está soprando.
Prazo para informar plano amostral
Uma das principais críticas na imprensa nesta terça-feira, 25, em relação à pesquisa Quaest/TV Mirante divulgada na noite dessa segunda-feira, 24, foi a ausência do arquivo com o detalhamento dos municípios e bairros onde as 900 entrevistas foram realizadas, no registro do levantamento. Mas, isso contraria a legislação eleitoral? A resposta é não!
De acordo com o §7º. do art. 2º. da Resolução-TSE nº. 23.600/2019, a partir da data em que a pesquisa se tornar pública e até o dia seguinte, é obrigatório complementar o registro. Caso contrário, o levantamento será considerado não registrado, incluindo os dados relevantes. Diante disso, a Quaest terá até as 0h0 de hoje para complementar o registro da pesquisa sob o número MA-02558/2026.
O mesmo critério se aplica à pesquisa EPO registrada no TSE sob o nº MA-02171/2026. Foi justamente essa situação que levou a coligação “Brasil Justo, Maranhão Grande”, encabeçada pelo candidato a governador Felipe Camarão (PT), a entrar com uma ação para tentar impedir a divulgação dos resultados da pesquisa prevista para hoje. Uma vez que a regra permite a complementação do registro da pesquisa no primeiro dia útil após a sua divulgação, não há, neste caso, qualquer irregularidade.
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