O  candidato a governador do Maranhão, Saulo Arcangeli (PSTU), afirmou em entrevista à Rádio Educadora FM (88.3MHz) na noite desta quarta-feira (9) que é o único candidato ‘comprometido com a vida real dos trabalhadores no estado’. A declaração ocorreu durante um bate-papo veiculado no programa Ordem do Dia, comandado pelos comunicadores Isaías Rocha e Thales Castro.

Na ocasião, Arcangeli expôs diversas propostas de seu plano de governo e teceu críticas ao processo democrático no país. De acordo com ele, o atual modelo apenas perpetua os partidos e as estruturas já existentes. O candidato destacou que, apesar de sua descrença no processo eleitoral, o PSTU participa das eleições para dar visibilidade ao programa do partido.

Durante sua participação, o convidado também criticou os candidatos Eduardo Braide (PSD), Orleans Brandão (MDB), Felipe Camarão (PT) e Roberto Rocha (PRTB), alegando que todos eles têm origem nos mesmos grupos ou já mantiveram vínculos com oligarquias que contribuíram para deixar o estado com um dos mais baixos indicadores sociais do Brasil.

Durante a entrevista, o candidato do PSTU destacou como principais propostas a estatização dos serviços essenciais, a valorização dos servidores públicos e o aumento dos investimentos governamentais. Além disso, ele defendeu que setores estratégicos sejam controlados pelo Estado e administrados de acordo com as necessidades da população, e não com o objetivo de gerar lucro para empresas privadas.

Ele finalizou o bate-papo, propondo também a realização de concursos públicos e a melhoria dos salários e das condições de trabalho, além de um aumento dos recursos destinados às redes estaduais. Arcangeli também apoiou a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, o fim da escala 6×1, a reforma agrária, e a proteção das comunidades indígenas, quilombolas e rurais.

Assista à íntegra da entrevista:

Quem é ele?

Nascido em São Luís, Saulo Arcangeli é professor universitário, servidor público federal e militante sindical. Ele é formado em Ciência da Computação e também concluiu doutorado em Políticas Públicas pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Atua como professor da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) e como servidor do Ministério Público do Trabalho.

A aproximação com a política ocorreu durante o período universitário, quando participou do movimento estudantil da UFMA. Posteriormente, passou a atuar no movimento sindical e em organizações ligadas à defesa dos servidores públicos e dos trabalhadores.

Arcangeli retorna à corrida pelo Palácio dos Leões 12 anos depois de sua última candidatura ao cargo. Ele concorreu pela primeira vez ao Governo do Maranhão em 2010, ainda filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Naquela eleição, recebeu 8.898 votos, equivalentes a 0,31% dos válidos. A disputa foi vencida por Roseana Sarney, então filiada ao PMDB, ainda no primeiro turno.

Posteriormente, Arcangeli deixou o PSOL e ingressou no PSTU. Em 2014, voltou a disputar o Governo do Maranhão, desta vez pela nova legenda. Terminou em quarto lugar. Flávio Dino foi eleito governador ainda no primeiro turno.

Com a nova pré-candidatura, Arcangeli deverá disputar pela terceira vez o Governo do Maranhão. O PSTU apresenta o professor como representante de um projeto político independente dos principais grupos que concorrem ao comando do estado.

O partido afirma que a campanha será direcionada à organização da classe trabalhadora e à defesa de mudanças estruturais na economia e nos serviços públicos. Arcangeli sustenta que as alianças formadas pelos partidos tradicionais não oferecem soluções para os problemas históricos do Maranhão. A proposta é construir uma alternativa socialista, sem coligações com partidos ligados à direita ou ao empresariado.

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